Agradecimentos Especiais

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: - VALDIR FERREIRA DE SOUZA - O grande ''Azambuja'', o mago da informática, poeta emérito, ninja do mais alto DAN e amigo dileto que teve papel cardinal na preparação, composição e arte final do livro (Diversas Minas de Versos). Para ele os méritos da apresentação visual. - WENCESLAU TEIXEIRA MADEIRA - Cuja a sensibilidade poética por certo o levará ao céu.

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Procissões



Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves) –  19

Primeiro passam pessoas piedosas
Paramentadas, portando pingentes
Passos pausados, pupilas penosas
Pedindo preces para pacientes

Preclaros padres ponderam pecados
Pressagiando punir pecadores
Por penitência: perpétuos penados
Purificando pequenos pendores

Pobres pedintes parcimoniosos
Polarizados pelas privações
Procrastinados pulsam pesarosos
Perambulando pelas procissões

 Peitos partidos por padecimentos
Pernas pesadas, prolação pungente
Preconcebendo parcos pensamentos
Povo profano – promissão pendente.

Amor Sem Censura



Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves) –  20

Aconteceu! Tudo tão lindo e de repente
Que despertou todas as forças da libido
Nossos olhares nos chamaram frente à frente
Nos abraçamos por inteiro, ardentemente
Desafiando a palavra – PROIBIDO

Extasiados cumprimos um ritual:
Beijos ardentes que antecedem o prazer
Nos confirmaram ser o par ideal
Que se completa além do bem e além do mal
Num só destino para o amor se refazer

Sim, meus amigos! Hoje eu vivo este drama
Vivo paixões, morro de amores, que loucura!
Os pesadelos hoje assaltam minha cama
Como se tudo me levasse àquela dama
A quem espero amar um dia. Sem censura.

Ficar Mais Velho



Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves) –  21/22/23
 
Ficar mais velho
É querer a vida calma
Pensar nas coisas da alma
Vidas, reencarnações
Guardar momentos
Lembranças virando açoite
Ver o sol chutar a noite
Ouvindo velhas canções

Pensar sublime
E falar com seu silencia
Ver a fonte de Juvêncio
Num longínquo carnaval
Fazer regime
Menos sal, muito remédio
Evitando o assédio
Da pressão arterial

Ficar mais velho
É calar quando lhe falam
Só falar se os outros calam
Medir o que vai dizer
Olhar sereno
Mesmo zangado
Se o chamam esclerosado
Ou brincando ou pra valer

Se a vida é boa
Vai agradecendo a sorte
Estar mais ou menos forte
Seja lá para o que for
Ver na “patroa”
A beleza de outrora
E seguindo vida a fora
Somar amor com amor

Ficar mais velho
É sonhar que ainda é moço
E que vai sedento ao poço
Na certeza de beber
E quando acorda
Tem um despertar tranquilo
Mais isto, “menos aquilo”
Já faz parte do viver

 Outros idílios
São desejar mais netinhos
Alguém pra fazer carinho
E que lhe dê atenção
Falar dos filhos
Como se fossem crianças
Esquecendo que as lembranças
São irmãs da emoção

Ficar mais velho
É ter cabelos brancos
E aos trancos e barrancos
Seguir marchando também
E se mais tarde
Tropeçar no seu cansaço
Nunca debitar fracasso
Sempre cultivar AMÉM

Viver os sonhos
E ter saudades do ontem
Quando pedem que lhes contem
Um caso que aconteceu
Olhos tristonhos                                                                                                             
Interior soluçando
Velho coração falhando
Igualzinho a este meu.

Regresso ao Lar Paterno



Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves) –  24

Somente andou as suas trilhas para o nada
Não caminhou em busca de querer chegar
Sentiu no tempo sua vida aniquilada
E no espaço a pequenez ilimitada
De quem sucumbe sem ter onde se apegar

Parou seus passos, olhos fitos no infinito
Volveu no tempo, rebuscando seu passado
Conteve à custo, num esgar, um rouco grito
Caiu de joelhos, as mãos postas qual contrito
Reconhecendo-se um homem fracassado

Como voltar arrependido ao lar paterno?
Como despir-se do seu “eu” tão calejado?
Queria ter consigo o senso do Eterno
Cair em si e ver o céu após o inferno
Sentir brotar no peito o amor tão almejado

Tomou coragem, dominou seu medo à custo
Acreditou não estar só consigo mesmo
Tirou da mente todo pensamento injusto
Tinha certeza que o perdão é tão vetusto
Quanto era o tempo em que saiu andando a esmo.