Agradecimentos Especiais

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: - VALDIR FERREIRA DE SOUZA - O grande ''Azambuja'', o mago da informática, poeta emérito, ninja do mais alto DAN e amigo dileto que teve papel cardinal na preparação, composição e arte final do livro (Diversas Minas de Versos). Para ele os méritos da apresentação visual. - WENCESLAU TEIXEIRA MADEIRA - Cuja a sensibilidade poética por certo o levará ao céu.

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Monólogo de Gratidão (Ao meu relógio)

Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves) - 65/66

Dizem que o tempo foi ao tempo perguntar
Qual é o tempo de que o tempo dispunha
Então o tempo respondeu sem vacilar:
É menos tempo do que o tempo supunha

Levanto o braço e lá está você me olhando
Me avisando que o tempo está correndo
E eu morrendo, já que a vida vai passando
E debitando o tempo que se vai perdendo

Achei você em uma rua empoeirada
Pouco habitada, em um bairro do Recife
Algum patife com a ''cuca'' embreagada
Em disparada fugindo de algum ''xerife''

Me aproximando, segurei-o com firmeza
Uma riqueza que era só minha agora
Foi nesta hora que me veio a ''esperteza''
Com sutileza de repente ''caí fora''

Desta maneira começamos nossa história
Meio simplória mas é a pura verdade

Sem falsidade, guardo tudo na memória
Acho uma glória com pra posteridade

Estamos juntos há bem tempo: - trinta anos
Nunca os profanos viram  seu interior
Só mostrador, a caixa e três ponteiros planos
Sem ter engano; você é superior

No seu trabalho, você sempre implacável
Insuportável às vezes chegava a ser
Eu sem poder modificar o inalterával
Imponderável nada podia fazer

Eu também tenho outro relógio: - no meu peito
Meio sem jeito mas está funcionando
Ele parando eu deitarei no eterno leito
E com respeito ouvirei DEUS me chamando

A diferênça é que você o tempo mede
E nada pede além de um pouco de cuidado
Já o ''citado'' mede a vida e nada cede
E tudo impede quando não é bem tratado

Você é algema que o tempo utilizou
E me algemou como escravo a vida inteira
Por brincadeira um ''tique-taque'' colocou
E embelezou seu visual de outra maneira

Já seu colega, creio que nasceu cansado
Vive enfadado, às vezes pregando susto
Não acho justo ter que viver assustado
Mas, conformado vou vivendo a qualquer custo

Pra melhorar um pouco esta situação
Com gratidão levo você ao relojoeiro
Levo primeiro ao Doutor meu coração
Com revisão este poeta fica inteiro.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Deusa de Pedra

Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves) - 67

Balança pra pesar justiça
Espada lembrando temor
Nos olhos a venda postiça
Nas vestes um total pudor

Um corpo esculpido em pedra
Um rosto sem falso sorriso
Um peito onde o ódio não medra
Um imponente altar do ciso

Que pena, tua voz calada
Teu olhos que não tem visão
Ouvidos que não ouvem nada
Espada abaixada ao chão

Quem dera que tivesses vida
Perfeito e justo um coração
Verias a razão falida
Justiça a golpes de facão

Tu foste o escudo da sentença
Que condenou mestre Jesus
E hoje em tua presença
Mais inocentes vão a cruz

Um dia por entre os escombros
Nasce o sol no mausoléu
Feridas sangrando nos ombros
Estrelas brilhando no céu

(Estrela pregadas nos ombros
Não são as que brilham no céu)

Réquiem Para um Condenado

Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves) 68/69

(Tributo à Wladimir Herzog, Manoel Fiel, Rubens Paiva e aos demais citados no livro ``Brasil Nunca Mais``)

A porta que se bate ao rosto
O rio que não dá passagem
O pão que se come sem gosto
Olhares que não deixam margem
A noite que escondeu a lua
O dia que nasceu sem sol
A vida que é tão dura e crua
Um lago preso num atol

A fé que se esvai na luta
O dedo em riste acusador
A santa que nasceu na gruta
Amantes que não dão amor
A mão que não se estende aberta
A língua que destila fel
Um laço que sufoca e aperta
A missa cantada em bordel

Inveja que nasceu no berço
Esmola atirada ao chão
A reza que não tem no teço
E passos que não pisam ao chão
A lei que foi feita prá louco
A grade que divide a rua
Milhões que para uns é pouco
Pobreza é corpo e alma nua

O grito que sai num cochicho

O diabo construindo a cruz
Cristãos com caração de bicho
Ladrões ao lado de Jesus
A vela que ilumina a morte
Verão que sempre foi inverno
Azar que se casou com a sorte
Aplausos ao entrar no inferno

O acaso que foi planejado
A arma que tem pontaria
A corda para um enforcado
A vida sem ter noite e dia
A mente se transforma em alma
O corpo se transforma em flor
A voz já conquistou a calma
Já não há mais riso nem dor

Refrão

Mas é muita coincidência
É muita patifaria
Viva sabendo o que faz
O relógio do tempo
Não anda pra trás

A Sangue Frio

Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves) - 70

Na mira de um rifle, uma vida pendente
Um dedo ao gatilho, um covarde, demente
A bala da arma está pronta a sair
Vai deixar um corpo sangrando ao cair

Coronha apoiada o tiro aguardando
O olho esquerdo bem lento fechando
Os dentes cerrados, a mão sem tremer
Respiração lenta, no peito o prazer
Na mente, o viver bem despeocupado
No bolso o dinheiro do preço acertado

Espírito fraco num corpo bem forte
Espírito forte num corpo bem fraco

A agulha da arma já está recuada
A alça de mira já foi regulada
A linha de tiro visa um coração
Que pulsa em paz, com amor e afeição

É chegada a hora, o dedo se curva
Mas sente a ardência, a vista se turva
A arma lhe pesa e escapa da mão
Alguém lhe amparando é a última imagem
Um rosto inocente - E a grande viagem

Espírito fraco num corpo bem forte
Espírito forte num corpo bem fraco.

segunda-feira, 28 de março de 2011

OS LIMITES DE DEUS

Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves) - 71/72

Se a noite desce sobre mim
O seu manto escuro
Se o sol projetar sobre mim
Seu dourado tão puro
Então lembrarei dos extremos
Que a vida oferece
E agradecerei ao meu Deus
Através de uma prece

Se a seca alcançar a pastagem
E tudo secar
Se o rio invadir a pastagem
E tudo brotar
Também lembrarei dos extremos
Que a vida oferece
E agradecerei ao meu Deus
Através de uma prece

Se a morte se fizer presente
E levar-me consigo
Se a vida alongar o presente
E eu viver mais comigo
Eu meditarei nos extremos
Que a vida oferece
E agradecerei ao meu Deus
Através de uma prece

Pelo que me falta na vida
E muito careço
Por tudo o que tenho na vida
E nem sei se mereço
É que eu bendigo aos extremos
Que a vida oferece
E alegre agradeço ao meu Deus
Através de uma prece.

TELEPATIA

Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves) - 73

Pela primeira vez que a vi, estava me olhando
Cenho francino, me busca sintonia
Eu presenti que alguém estava me chamando
E nesse clima fomos nos aproximando
Na mais perfeita forma de telepatia

Éramos dois seres sem nome; só amantes
Se completando como as rimas de um verso
Tendo a certeza de que amores errantes
Cedo se encontram transformando estes instantes
Na mais sublime e individual lei do universo

Nossos olhares - nos olhavam silentes
Sobre os meus ombros os seus braços se apoiaram
Sua cintura estavam em minhas mãos potentes
Logo a seguir, como é normal, beijos ardentes...
Num breve tempo nossos olhos se fecharam

Cruzou os braços e ergueu-os com destreza
Despiu as vestes coloridas, de algodão
Vestu seu corpo com o manto da pureza
Botou no rosto um sorriso de beleza
E me entregou seu corpo e seu coração.

SUBLIME - IDADE

Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves) - 74/75

Sublimidade
É amar a existência
Transmitir experiência
Ensinando com prazer
Está esperto
Nunca cair no marasmo
Pois somente tem espasmos
Quem não tem o que fazer

É não ligar
Pra posicões planetárias
Confiar nas coronárias
Ter um pouca mais de fé
Sempre lembrando
Que raiva pode matá-lo
Que a morte vem a cavalo
E a vida vai a pé

Sublimidade
É sentir-se remoçado
Bem feliz, cantarolando
Programar o amanhã
Ver que o futuro
Não está dentro do quarto
E renascer noutro parto
Numa vida mais louçã

Levantar cedo
Pra amar a natureza
Procurar ver a beleza
Onde outros nada vêm
Manter a calma
Inspirar tranquilidade
Praticar fraternidade
Com o irmãos que nada têm

Sublimidade
É além de tudo crer
Que as marcas do sofre
São as provas que venceu
E que as cãs
São albornozes da alma
E as rugas são as palmas
Louros que a vida lhe deu

Assim eu vivo
É minha filosofia
Se não tenho o que eu queria
Tenho além de quem não tem
A minha idade
Não é mais um algarismo
É a soma do ecletismo
De quem sempre diz AMÉM.