Agradecimentos Especiais

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: - VALDIR FERREIRA DE SOUZA - O grande ''Azambuja'', o mago da informática, poeta emérito, ninja do mais alto DAN e amigo dileto que teve papel cardinal na preparação, composição e arte final do livro (Diversas Minas de Versos). Para ele os méritos da apresentação visual. - WENCESLAU TEIXEIRA MADEIRA - Cuja a sensibilidade poética por certo o levará ao céu.

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Liberdade Condicional



Liberdade Condicional

Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves)  -  44/45

Entrou pela porta do mundo
Chorando
Cresceu pelas ruas da vida
Andou nas vielas do tempo
Amargando
Dormiu seu cansaço no chão
Gemendo

E de tanto gemer,
Sem futuro, passado ou presente
Tirou as algemas da mente
Mas não se libertou do seu EU

Bebeu sua taça de fel
Temendo
Se quis, teve que conquistar
Lutando
Pediu, insistiu, mas ficou
Querendo
Desejos que só satisfez
Implorando

E de tanto implorar,
Sem futuro, passado ou presente
Tirou as algemas da mente
Mas não se libertou do seu EU

Sentiu em sua pele a Lei
Ferindo
Comeu as migalhas de pão
Suando
Rezou suas preces a Deus
Pedindo
Então em silêncio seguiu
Tentando

E de tanto tentar,
Sem futuro, passado ou presente
Tirou as algemas da mente
Mas não se libertou do seu EU

E de tanto morrer,
Sem futuro, passado ou presente
Tirou as algemas da mente
Mas não se libertou do seu EU.

De Profundis



De Profundis

Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves)  -  46

Não é o relojoeiro quem regula o tempo
Nem é milionário o guarda do banco
Não é o suicida que adia o intento
Nem são donos da vida os homens de branco

Não é só de cansaço que se adormece
Um dia até o coveiro será sepultado
Não foi o sacerdote quem criou a prece
Nem preto velho e pobre é um cão danado

A musa só existe para os inspirados
O rico só é rico se usar a riqueza
O homem que é normal pode gerar tarados
Fortuna quando cresce aumenta a pobreza

Não é o cavaleiro que encurta a distância
Nem pontos de uma reta que definem o traço
A falta da certeza é que provoca a ãnsia
Não são heróis os homens com nervos de aço

Não é só a palavra que mutila a alma
Num gesto de amor também há piedade
O vinho é o agente que agita e acalma
E o marginal é aborto da sociedade

O ódio só faz mal a quem o alimenta
Não é só no confessório que fica o pecado
Não é com canto alegre que se acalenta
Nem é a intenção que alivia o fardo.

Violeiro Viola Violência



Violeiro Viola Violência

Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves)  -  47

Segue os passos, caminhando a vida
Vida querida, feliz e normal
Longe do mal, pensando em sua lida
Luta renhida mas de alto astral
Fez suas preces para Deus bendito
Que do infinito ouviu e entendeu
Não prometeu calar seu gesto-grito
Nem um bonito carma Ele lhe deu

A vida para, só prossegue a morte
Corta-se a sorte de quem quis vencer
Se pra morrer é preciso ser forte
Qual o suporte pra quem quer viver?
Terra maldita onde a violência
Não tem clemência, não tem coração
A maldição de Caim, a demência
Faz-se evidência à sombra deste chão

Violeiro, viola, violência
Uma câmara cheia de gás
Violeiro, viola, violência
Uma força ou mil volts a mais

A sentença, o carrasco, o juiz
Um Diabo sorrindo feliz
O perdão, o consolo, a Matriz
Deus bendito chorando infeliz.

Monólogo de Gratidão - (Ao meu despertador, que embora mudo me chama à vida)



Monólogo de Gratidão - (Ao meu despertador, que embora mudo me chama à vida)

Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves)  -  48/49

Despertador, meu velho amigo e companheiro
Que me acompanha desde a minha mocidade
Sem nunca visitar nenhum relojoeiro
Embora tarde, quero eu ser o primeiro
A agradecê-lo por tanta felicidade

Ganhei você de minha mãe como um presente
Uma lembrança de meu pai já falecido
Um “relojão” muito bonito e reluzente
Com mostrador bem grande, bem fosforescente
E campainha que arrebenta meu ouvido

Desde o Colégio você me regula a vida
Horas de estudo, de dormir de acordar
E foi por isso que nunca tive perdida
Nenhuma chance de chegada ou de partida
Quando esperava alguém ou ia viajar

Por muitas vezes fiquei com você zangado
Principalmente quando ia dormir tarde
Você tocava a campainha e eu “pregado”
Me levantava tropeçando, olhar pesado                                                                                                        Pra desligar depressa o seu enorme alarde

Você também pregou-me peças, alguns sustos:
Me despertava em dias feriados
Deixava que eu dormisse o bom sono dos justos  
Enquanto a inflação voraz subia os custos
E ao acordar me via com menos cruzados

Mais algum tempo e desta vida eu partirei
Logo que as dívidas do Carma eu resgatar
Como Espírito aos Céus subirei
Como Matéria para sempre dormirei
Porque jamais eu ouvirei seu despertar.