Agradecimentos Especiais

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: - VALDIR FERREIRA DE SOUZA - O grande ''Azambuja'', o mago da informática, poeta emérito, ninja do mais alto DAN e amigo dileto que teve papel cardinal na preparação, composição e arte final do livro (Diversas Minas de Versos). Para ele os méritos da apresentação visual. - WENCESLAU TEIXEIRA MADEIRA - Cuja a sensibilidade poética por certo o levará ao céu.

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Meia Volta, Volver!



Meia Volta, Volver!

Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves)  -  50

Vitória raiou para um povo
Que quis com querência
Que as roupas pintadas de verde
Voltassem aos quartéis
As preces chegaram ao Céu
Que lhes deu merecência
E as praças se encheram de vivas
Em mil decibéis

Vê!
O mar agitado acalmou
O sol novamente brilhou
O povo já volta a sonhar
Vê!
As faces já podem sorrir
Idéias já podem surgir
Amantes já podem se amar

As balas que são disparadas
Não matam as almas
Prisões gradeadas com ferros
Não prendem a mente
Porretes tamanho “família”
Não calam as palmas
Não mais “pau-de-arara” tortura
O homem decente.

Polítido do Diabo no Sertão de Deus



Polítido do Diabo no Sertão de Deus

Por: Kener Pereira Coutinho Neves
 
(Benoni Coutinho Neves)   -  51/52

Prezado povo deste meu sertão
Estar aqui me enche de alegria
Me considerem como um irmão
Que aqui chegou repleto de euforia

Trago a mensagem de felicidade
Dias melhores estão pra chegar
Tenho certeza que esta cidade
Não terá mais miséria a carregar

Na eleição que próxima se avista
Vocês precisam de um representante
Alguém que lute, que defenda e insista
Alguém com a coragem de um gigante

Pois como vocês todos podem ver
Ninguém melhor que eu para fazê-lo
Ninguém tem a coragem que eu sei ter
Pra defender meu povo com desvelo

Vocês terão comida com fartura
Mandarei cavar poço artesiano
Assim se acabará a amargura
Da fome e da seca todo ano

Construirei escolas pras crianças
Asilos, Hospitais, Maternidades
E para o lazer; salões de danças,
Estradas ligando a outras cidades

Teremos nós aqui um paraíso
Emprego para todo cidadão
Nos lábios de vocês haverá riso
Nas casas de vocês haverá pão

Pra que isto aconteça, meus amigos
Preciso que vocês votem em mim
Só eu posso acabar com os perigos
Eleito, esta miséria vai ter fim
...         ...        ...         ...        ...
E o povo, que nasceu no sofrimento
Cresceu em meio a toda amargura
Comeu o pão suado do tormento
Bebeu água da seca que tortura
Aceita outra vez velhas promessas
Palavras de um novo aventureiro.
Mais um, que vai pregar-lhes outras peças
E encher com isto o bolso de dinheiro.

Sina de Ser-tão Sofrido



Sina de Ser-tão Sofrido

Por: Kener Pereira Coutinho Neves
 
(Benoni Coutinho Neves)  -  53

Até as lágrimas
Secaram no Sertão
Os retirantes
Seguem sua procissão
Vendo morrer
Os seus sonhos pequeninos
Sonhando desde meninos
Ao abraçarem seu chão

Sina de ser-tão sofrido
Sofre o sofrido Ser-tão
Surra, suor sacudido,                                                                                                       
O sol queimando
Não existe agasalho
Não tem mais plantas
Ninguém sabe o que é orvalho
Os animais
Agonizam num deserto
E a sede sempre bem perto
Calando mais um chocalho

Sina de ser-tão sofrido
Sofre o sofrido Ser-tão
Surra, suor sacudido,
Serra de sol, servidão.

Monólogo de Gratidão - À minha querida enxada



Monólogo de Gratidão (À minha querida enxada)

Por: Kener Pereira Coutinho Neves

(Benoni Coutinho Neves) – 54/55

Faz muito tempo, eu tinha cinco anos
Quando você entrou na minha vida
Papai comprou você de uns ciganos
Era uma enxada grande e bem fornida

Assim ganhei você como um presente
E juntos começamos nossa história
É pena que o papai já esteja ausente
Embora eu o guarde sempre na memória

Foi ele quem botou-lhe um cabo reto
Bateu a cunha com muito cuidado
E após testar você nos pés de abeto
Olhou-me e fez sinal de “aprovado”

Já no dia seguinte começamos
Você era rebelde e eu também
Por algum tempo nós nos maltratamos
Igual a Julieta e Romeu

Cheguei a atirá-la num lajedo
Quem sabe, você ficava mais terna
Logo a seguir fiquei morto de medo:
Você pulou e feriu minha perna

Somente quando eu já de mãos calosas
Você, sem aspereza, o cabo liso
É que vimos que as coisas dolorosas
Doem muito mais em quem não tem juízo

Você nos ajudava na labuta
Plantávamos feijão, milho, mandioca,
Nas noites de caçada era uma luta
Nós íamos cavar tatu na toca

Recordo-me quando salvaste-me a vida
Fazendo em pleno ar uma manobra
Livrando-me de uma fatal mordida
Decepando a cabeça de uma cobra

Cavamos fundações de alvenaria
Construímos as casas dos parentes
A capelinha da Virgem Maria
E um ambulatório pra doentes

Enquanto eu fui crescendo em estatura
Você diminuiu, foi se gastando
Mas continua ainda forte, dura
Sem nunca esmorecer, sempre cavando

Das atribuições que você tinha
Só uma de deixava entristecido:
Quando morria alguém você já vinha
Abrir a cova para o falecido

Mas hoje eu compreendo o seu destino
Agora sei porque você é forte
Você me acompanhou desde menino
Você vai estar comigo em minha morte.